A perturbação de pânico é uma forma de ansiedade que se caracteriza por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos de uma preocupação duradoura com a ideia de que voltem. Não é um capricho, nem fraqueza, nem falta de vontade. É um funcionamento do alarme interior, que às vezes dispara sem razão aparente, e que se compreende e se domestica muito bem com o acompanhamento certo.
O que é a perturbação de pânico ?
Um ataque de pânico é uma subida súbita e intensa de medo, que atinge o seu pico em poucos minutos e depois desce. O corpo reage como perante um perigo real, quando não existe nenhum. Essas ondas são desagradáveis, mas não são perigosas e passam sempre.
O que define a perturbação de pânico não é apenas ter vivido um ataque, é ter vários, de forma recorrente e muitas vezes imprevisível, e depois desenvolver aquilo a que se chama o medo do medo : a apreensão de uma próxima crise acaba por ocupar a mente e por moldar o dia a dia. A origem mistura uma sensibilidade particular do sistema de alarme, fatores de vida e por vezes uma parte hereditária.
As diferentes facetas da perturbação de pânico
A perturbação de pânico não é igual de uma pessoa para outra :
- A frequência : algumas pessoas vivem ataques próximos uns dos outros, outras muito espaçados, com longos períodos calmos entre dois.
- O medo do medo : nuns fica discreto, noutros ocupa muito espaço e pesa nas escolhas do dia.
- A evitação : por precaução, podemos começar a contornar certos lugares ou situações associados às crises. Este reflexo é compreensível, e trabalha-se com suavidade.
- As sensações físicas : coração acelerado, respiração curta, sensação de irrealidade. Variam de pessoa para pessoa e de momento para momento.
Nenhum percurso é igual a outro, e nenhum é uma fatalidade.
Como a perturbação de pânico se manifesta no dia a dia
Para além dos próprios ataques, a perturbação de pânico vive-se nos pequenos gestos de todos os dias :
- Antecipação : às vezes preparamos as saídas, identificamos os sítios onde nos sentimos à vontade, guardamos um plano B. Esta organização tranquiliza.
- Cansaço : manter-se em vigilância diante das próprias sensações exige energia e pode te deixar esgotado ou esgotada ao fim do dia.
- Sensibilidade ao corpo : o coração que bate um pouco depressa ou uma leve tontura são logo notados, por vezes sobreinterpretados.
- Necessidade de segurança : saber que podemos abrandar, sair para apanhar ar ou voltar para casa se for preciso muda tudo e acalma muito.
Estas manifestações oscilam conforme os períodos. Um ambiente compreensivo torna o dia a dia bem mais leve.
Alguns exemplos
A perturbação de pânico assume rostos muito variados. Uma pessoa pode levar uma vida ativa e plena, mantendo na mente alguns pontos de referência para se sentir em segurança. Outra atravessa um período em que as saídas exigem mais preparação, antes de recuperar aos poucos a liberdade de movimento.
Há quem tenha aprendido a reconhecer os primeiros sinais e a deixá-los passar sem lutar, e quem ainda esteja a descobrir como fazer. Em todos os casos, essas ondas não tiram nada à riqueza de uma pessoa : a sua sensibilidade, a sua atenção aos outros e a sua capacidade de apreciar a calma são muitas vezes verdadeiras forças.
Como se diagnostica a perturbação de pânico ?
Não existe nenhum exame de sangue nem exame de imagem que faça o diagnóstico. A perturbação de pânico diagnostica-se clinicamente, por um profissional de saúde formado (médico, psiquiatra ou psicólogo). O processo apoia-se nos critérios internacionais, principalmente o DSM-5 e a CID-11, e segue várias etapas :
- Entrevista clínica : explora-se a natureza dos ataques, a sua frequência, o seu caráter inesperado, e a preocupação que se instala entre dois episódios.
- Impacto na vida : olha-se para a forma como tudo isto influencia o dia a dia, os hábitos e o bem-estar, porque é esse impacto que conta.
- Diagnóstico diferencial : o profissional verifica primeiro que uma causa física não explica as sensações (por exemplo do lado da tiroide ou do coração), e depois distingue a perturbação de pânico de outras formas de ansiedade.
- Comorbilidades : identifica as condições muitas vezes associadas, como outras perturbações de ansiedade, para propor um acompanhamento adequado.
É a convergência destes elementos, e não um único ataque isolado, que orienta o diagnóstico. E dar nome às coisas já traz, por si só, um verdadeiro alívio.
Perturbação de pânico e vida amorosa
Em casal, viver com uma perturbação de pânico exige sobretudo um pouco de suavidade e diálogo. Poder dizer " hoje preciso de um sítio calmo " ou " podemos voltar quando quiseres " transforma uma limitação numa atenção partilhada. Muitas das pessoas envolvidas oferecem em troca uma sensibilidade rara, uma presença verdadeira e uma ternura profunda.
É exatamente a ideia do Atypiklove : conhecer pessoas para quem a tua maneira de funcionar é uma evidência, não algo a justificar ou a esconder. Aqui, um encontro adiado ou um ritmo mais suave não surpreende ninguém.