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Adição comportamental: o que o termo abrange realmente

O que é uma adição sem substância, as duas únicas perturbações reconhecidas pelas classificações internacionais, o que continua em debate e a confusão permanente entre paixão intensa e perda de controlo.

A palavra adição saiu do vocabulário médico para a conversa corrente, onde descreve mais ou menos tudo aquilo de que uma pessoa gosta muito. No seu sentido clínico, uma adição comportamental designa outra coisa, e bastante mais restrita: uma perda de controlo sobre uma atividade que se mantém apesar das suas consequências, até ocupar todo o espaço. Apenas duas perturbações são reconhecidas a esse título nas classificações internacionais, e vale a pena conhecer essa fronteira.

O que a adição comportamental abrange

A ideia de uma adição sem substância assenta numa constatação simples: alguns comportamentos produzem um padrão próximo do das drogas, sem que nenhum produto seja ingerido. Encontram-se os mesmos marcadores. Uma perda de controlo sobre o início, a duração ou a intensidade da atividade. Uma prioridade crescente dada ao comportamento, que passa à frente dos outros interesses, das obrigações e das relações. Uma continuação apesar das consequências, quando os estragos já são visíveis.

Três precisões contam tanto como a definição. O tempo passado não é o critério: uma pessoa pode jogar muito e estar perfeitamente bem, outra jogar menos e ver a sua vida desfazer-se. É preciso uma duração e uma repercussão real, exigindo as classificações em geral que o padrão se instale ao longo de um período longo, muitas vezes da ordem dos doze meses. E o diagnóstico não se faz nem com um questionário em linha nem com uma censura ouvida em casa.

O que é reconhecido e o que não é

É o ponto mais frequentemente escamoteado. Só a perturbação do jogo a dinheiro e a perturbação do uso de videojogos figuram como adições comportamentais nas classificações internacionais. A primeira é objeto de um consenso amplo e antigo. A segunda, mais recente, adotada pela CID-11, vê a sua validade ainda discutida na literatura.

Os outros usos excessivos frequentemente apelidados de adição não o são. O uso de ecrãs ou das redes sociais não é um diagnóstico: nada estabelece que uma duração de exposição baste para definir uma perturbação, e a atenção desloca-se para aquilo a que o comportamento serve, mais do que para o contador de horas. As compras compulsivas não têm lugar próprio nas classificações. O comportamento sexual compulsivo existe na CID-11, mas arrumado entre as perturbações do controlo dos impulsos, não entre as adições: essa distinção traduz um desacordo real sobre o mecanismo em causa.

Esta imprecisão não é uma negligência. Dois receios opostos estruturam o debate: patologizar comportamentos correntes, transpondo para eles as noções de tolerância e de privação herdadas das substâncias, ou deixar sem nome situações que destroem vidas.

Paixão intensa ou perda de controlo

É a confusão mais frequente, e faz estragos nos dois sentidos. Um adolescente que joga até tarde, um adulto apaixonado por uma coleção, uma pessoa autista absorvida por um interesse específico: nada disso é uma adição. Um interesse intenso é muitas vezes um recurso, e reorganiza-se quando a vida o exige.

O que distingue os dois tem menos a ver com a intensidade do que com a direção. Na paixão, a atividade acrescenta algo e coabita com o resto. Na perturbação, subtrai: as outras atividades desaparecem, as tentativas de parar falham, a mentira instala-se, e a atividade continua mesmo quando já nem sequer traz prazer. O jogo a dinheiro acrescenta um sinal que lhe é próprio, voltar a jogar para recuperar o que se perdeu, que transforma uma perda num motivo para continuar.

Ao contrário, usar a palavra adição para tudo estigmatiza sem explicar nada, e a acusação fecha a discussão de forma bem mais segura do que a abre.

O que se passa por trás do comportamento

Os trabalhos disponíveis descrevem um envolvimento dos circuitos da recompensa e da aprendizagem, com sobreposições reais entre a perturbação do jogo a dinheiro e as adições a substâncias. Isso diz alguma coisa do mecanismo, não da pessoa: aqui, nenhum exame de imagem diagnostica seja o que for.

Um facto está, em contrapartida, bem documentado: certos tratamentos dopaminérgicos, nomeadamente na doença de Parkinson, podem desencadear condutas de jogo, de compra ou de hipersexualidade em pessoas sem qualquer antecedente. Estas situações exigem um ajuste médico, não um defeito de vontade.

As perturbações associadas são a regra e não a exceção: depressão, ansiedade, PHDA, consumo de substâncias. O comportamento desempenha muitas vezes um papel de regulação, contra o tédio, a angústia, a sobrecarga sensorial ou a insónia. Tratá-lo como um simples excesso a suprimir equivale a retirar uma ferramenta sem olhar para aquilo a que servia. O jogo a dinheiro merece uma menção à parte: as suas consequências financeiras e o sofrimento psíquico associado são os mais pesados, e justificam um parecer profissional sem esperar.

Ajuda, tratamento, recaídas

As psicoterapias estruturadas, à cabeça das quais as terapias cognitivo-comportamentais e a entrevista motivacional, dispõem dos melhores elementos de prova, sobretudo para o jogo a dinheiro. Os grupos de entreajuda servem a umas pessoas e a outras não, sem que isso diga o que quer que seja sobre a sua motivação.

Nenhum medicamento tem indicação especificamente estabelecida para estas perturbações; algumas moléculas foram estudadas com resultados inconstantes, e a questão pertence a um médico, não a um artigo. Existem além disso, em muitos países, dispositivos de autoexclusão do jogo a dinheiro geridos pela autoridade reguladora nacional, bem como linhas de apoio: o médico de família ou um centro de adictologia encaminha para os recursos certos.

A recaída faz parte dos percursos conhecidos. Não põe a zero o que foi construído, e interpretá-la como prova de fracasso leva sobretudo a esconder o que aconteceu. Conta mais o intervalo entre o episódio e o momento em que é dito.

... e a vida amorosa

O que estraga a relação quase nunca é o comportamento isolado: são as ausências inexplicadas, os atrasos, o dinheiro que falta sem motivo claro, e o desfasamento entre o que é dito e o que se passa. A confiança perde-se pelo segredo mais do que pela atividade em si.

Um parceiro pode acompanhar, não pode tratar. A verificação permanente, o controlo das contas ou a busca no telemóvel transformam a relação em vigilância e esgotam as duas pessoas, sem mudar nada de forma duradoura. O que ajuda mais: um enquadramento decidido em conjunto em vez de imposto, serões construídos à volta de outra coisa, e um acompanhamento conduzido fora do casal. A responsabilidade do comportamento continua a ser da pessoa em causa, mesmo quando é apoiada.

Quanto ao momento de falar disso, não há regra. Muitos preferem uma frase clara quando a relação começa a contar: onde estou, o que faço para me aguentar, aquilo de que preciso. A maior parte das pessoas encaixa isso melhor do que um encadeamento de explicações que não se sustentam. E o rótulo não prevê nada do que uma relação virá a ser: nem a fiabilidade, nem a generosidade, nem a capacidade de se comprometer.

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Perguntas frequentes

Como falo disto com alguém com quem estou a começar a sair?

Dizer o essencial sem estender tudo no primeiro encontro: o que se perdeu pelo caminho, em que ponto estou e o que faço para me aguentar. A maioria das pessoas lida muito melhor com uma frase clara do que com ausências sem explicação e atrasos sem fim. O momento chega quando a relação começa a contar, não necessariamente antes.

A minha companheira ou o meu companheiro pode ajudar-me a parar?

Pode acompanhar, não tratar: vigiar as contas ou remexer no telemóvel transforma a relação em controlo e desgasta os dois. O que ajuda mesmo é um enquadramento combinado em conjunto, serões construídos à volta de outra coisa e um acompanhamento feito fora da relação. A responsabilidade pelo comportamento continua a ser de quem o tem.

É possível ter uma relação estável com este tipo de perturbação?

Sim, e muita gente tem, sobretudo quando o assunto é dito em voz alta em vez de escondido. As recaídas existem e por si só não fecham uma história: o que conta é o que se diz a seguir. A confiança reconstrói-se sobre factos verificáveis, mais devagar do que se perdeu.

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