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Disfasia / PDL: perceber tudo - formas, sinais e diagnóstico

O que é de facto a Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem, as suas diferentes facetas, como se manifesta no dia a dia e como se diagnostica.

A disfasia, hoje mais chamada Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem (PDL), é uma forma diferente de o cérebro desenvolver e processar a linguagem oral. Não é uma doença, nem um atraso que se recupera sozinho, e muito menos uma falta de inteligência. É uma particularidade do neurodesenvolvimento, presente desde a infância, que afeta como as palavras saem ou como são entendidas, não a riqueza do teu pensamento.

O que é a disfasia?

A disfasia é uma perturbação do desenvolvimento da linguagem: a linguagem instala-se de outra maneira, mais devagar ou de forma incompleta, sem que isso se explique por um problema de audição, uma deficiência intelectual ou uma falta de estímulo. A linguagem escrita também pode ser afetada, mas é a oral que está no centro.

A origem é em grande parte neurobiológica e muitas vezes familiar. O cérebro processa o material da linguagem (os sons, as palavras, a gramática, o sentido) à sua maneira. A pessoa entende o mundo, sente, pensa e ama como qualquer outra: é o canal das palavras que funciona de outro modo.

As diferentes facetas da disfasia

Distinguem-se sobretudo duas vertentes, que se combinam de forma diferente em cada pessoa:

  • A expressão: encontrar as palavras, pronunciá-las, construir frases claras. A fala pode ser lenta, podem faltar palavras, a gramática pode misturar-se, mesmo quando a ideia está perfeitamente nítida na cabeça.
  • A compreensão: seguir uma instrução longa, captar uma pergunta feita depressa, descodificar várias informações ao mesmo tempo. Algumas pessoas falam bem mas custa-lhes entender tudo, outras entendem bem mas custa-lhes exprimir-se.

Nenhum perfil se parece com outro. A palavra certa nunca está longe, apenas demora mais a sair.

Como a disfasia se manifesta no dia a dia

Para além das definições, a PDL vive-se de forma concreta:

  • Falar: procurar uma palavra a meio da frase, trocar um termo por outro, tropeçar numa construção. Não é hesitação, é um acesso às palavras que exige mais esforço.
  • Ouvir: no barulho ou quando tudo vai depressa, perde-se parte da mensagem. Reformular ou falar mais devagar muda tudo.
  • O ritmo: as conversas em grupo cansam, porque é preciso processar tudo ao vivo, sem pausas.
  • O cansaço: falar e entender o dia inteiro pede uma energia que a maioria não imagina.

Isto varia conforme as pessoas e os momentos. Alguém paciente, que dá tempo, alivia enormemente a carga.

Um caso típico

A Camila teve sempre mil ideias e poucas palavras para as dizer. Na escola acharam-na distraída ou lenta, quando na verdade entendia muito bem mas não conseguia responder à velocidade esperada. Em adulta, aprendeu a contornar: preparar as frases, preferir a escrita, rodear-se de gente que não a interrompe. No dia em que pôs a palavra disfasia no seu funcionamento, percebeu sobretudo uma coisa: nunca lhe tinha faltado inteligência, apenas tempo para encontrar as suas palavras.

Como se diagnostica a disfasia?

Não existe nenhuma análise ao sangue nem exame de imagem que faça o diagnóstico. A PDL deteta-se clinicamente, no fim de uma avaliação de terapia da fala aprofundada, muitas vezes completada por uma avaliação pluridisciplinar. O processo apoia-se nos critérios internacionais, principalmente o DSM-5 e a CID-11, e segue várias etapas:

  1. Avaliação de terapia da fala: medem-se com precisão a expressão e a compreensão, o vocabulário, a gramática e os sons, com instrumentos padronizados reconhecidos internacionalmente.
  2. História do desenvolvimento: as dificuldades de linguagem têm de estar presentes desde a infância e ser duradouras, não ligadas a um simples atraso passageiro.
  3. Diagnóstico diferencial: o profissional verifica que as dificuldades não se explicam melhor por um problema de audição, uma deficiência intelectual, um autismo ou uma falta de exposição à linguagem.
  4. Olhar pluridisciplinar: conforme o caso, uma avaliação auditiva, psicológica ou neuropsicológica completa o quadro.

É a convergência destes elementos, e não um único sinal isolado, que fundamenta o diagnóstico. E nunca é tarde para lhe pôr palavras.

Disfasia e vida amorosa

No amor, a disfasia não muda nada da profundidade do que sentes. Só torna mais delicadas algumas coisas: encontrar a frase certa no momento certo, acompanhar uma conversa animada, atreveres-te a falar sem receio do julgamento. Nada disto é um defeito: é uma forma de funcionar, muito mais leve de viver com alguém que te dá tempo e nunca confunde a tua lentidão com desinteresse.

É precisamente essa a ideia do Atypiklove: conhecer pessoas para quem a tua forma de comunicar é algo natural, não algo a explicar ou a disfarçar.

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Perguntas frequentes

Ter disfasia significa que és menos inteligente?

Não. A perturbação do desenvolvimento da linguagem, termo atual usado muitas vezes onde antes se dizia disfasia, causa dificuldades duradouras em compreender ou usar a linguagem. Não mede o valor nem a profundidade emocional de uma pessoa e pode coexistir com outras diferenças de aprendizagem ou desenvolvimento.

Vou ter dificuldade em expressar-me numa relação?

Encontrar palavras, compreender linguagem complexa ou acompanhar uma conversa rápida pode exigir mais esforço, conforme a pessoa. Mais tempo de processamento, ambientes calmos e a confirmação do entendimento podem tornar a comunicação mais acessível sem presumir o que alguém sente.

Tenho de explicar toda a minha perturbação da linguagem a quem conheço?

Não. Tu escolhes que informações de saúde partilhas. Pode bastar dizer que precisas de mais tempo para as palavras, de um ritmo calmo ou de perguntas reformuladas. Um parceiro deve confirmar o entendimento em vez de tratar uma comunicação mais lenta como prova de desinteresse.

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