O nome dele é Daniel. Engenheiro em uma plataforma de petróleo, viúvo, um filho. Ele manda mensagem para você toda manhã, lembra de cada detalhe e, por sorte, compartilha a sua paixão por trens antigos. Depois de três semanas, fala em vir visitar você. Aí o visto dele fica travado, e só falta o dinheiro para pagar as taxas da viagem.
Daniel não existe. As fotos são de outra pessoa, as mensagens seguem um roteiro, e quem escreve talvez esteja levando vários “relacionamentos” ao mesmo tempo. Esse cenário, repetido infinitas vezes, é um dos mais comuns em sites e aplicativos de relacionamento.
Esses golpes não miram pessoas ingênuas. Eles são aplicados por golpistas organizados, às vezes em quadrilhas, que exploram o que todo mundo procura on-line: atenção, compreensão, alguém que fique. Este guia reúne os sinais de alerta, os cenários mais comuns e o que fazer se você achar que está sendo alvo. Ele vale para todas as plataformas, inclusive para o namoro entre pessoas neurodivergentes.
Perfil falso, catfish, golpe do amor: do que estamos falando?
Essas palavras se sobrepõem, mas não querem dizer exatamente a mesma coisa:
- o perfil falso: uma identidade inventada ou roubada, com fotos que pertencem a outra pessoa ou que foram geradas por inteligência artificial
- o catfishing: se passar por outra pessoa na internet, às vezes sem nenhum objetivo financeiro
- o golpe do amor, ou golpe sentimental: construir uma relação afetiva para conseguir dinheiro
- o golpe do investimento: a relação serve para atrair você para um investimento falso, muitas vezes em criptomoedas
- a sextorsão: conseguir imagens íntimas e depois ameaçar divulgá-las para arrancar dinheiro
- os robôs e perfis-isca: contas que levam você para sites pagos, sites de webcam ou páginas que roubam seus dados bancários
Todos esses cenários têm algo em comum: em algum momento, alguém que você nunca encontrou pessoalmente pede algo de valor.
Um fenômeno enorme, e muito subnotificado
Nos Estados Unidos, as perdas com golpes do amor e de confiança informadas ao FBI saltaram mais de um terço em 2025, chegando perto de um bilhão de dólares em um único ano. Pessoas com mais de 60 anos concentram a maior parte dessas perdas, mas nenhuma faixa etária escapa: os jovens adultos são os que mais relatam tentativas de sextorsão.
De acordo com a autoridade americana de defesa do consumidor (FTC), quase 60% das pessoas que perderam dinheiro em um golpe do amor em 2025 dizem que tudo começou em uma rede social. O primeiro contato nem sempre vem de um site de relacionamento: um jogo on-line, um aplicativo de mensagens ou até um SMS “enviado por engano” podem ser a porta de entrada.
No Reino Unido, na Austrália, no Canadá e na União Europeia, as autoridades constatam o mesmo: o golpe do amor está entre as fraudes mais comuns ou mais caras, e não para de crescer. Mesmo assim, esses números ficam muito abaixo da realidade. O Centro Antifraude do Canadá estima que só 5 a 10% das fraudes são denunciadas: muitas vítimas ficam em silêncio, por vergonha ou porque demoram para entender o que aconteceu com elas.
Os sinais de um perfil falso
Um sinal isolado não prova nada. É o acúmulo que deve acender o alerta:
- fotos de modelo ou de revista, todas muito produzidas, ou todas do mesmo ensaio fotográfico
- nenhuma foto do dia a dia, nunca uma foto com amigos ou família, nunca uma foto nova quando você pede
- uma profissão que mantém a pessoa longe e, ao mesmo tempo, passa confiança: militar em missão, funcionário de uma organização internacional, trabalhador em plataforma de petróleo, empresário ou empresária no exterior
- uma história que desperta compaixão: viuvez recente, filho para criar, pai ou mãe doente
- incoerências entre idade, cidade, formação, domínio do idioma e o que a pessoa conta
- uma conta recém-criada que escreve para você muito rápido e com muito carinho
- uma bio vaga, muito genérica, ou copiada palavra por palavra de outro perfil
- uma localização perto de você, mas uma pessoa que “acabou de chegar” ou “vai embora logo”
Cuidado para não inverter a lógica. Um perfil curto, uma escrita muito direta, respostas literais ou erros de ortografia não são sinais de golpe: muitas pessoas autistas, com TDAH ou com dislexia escrevem assim. Um perfil verdadeiro pode ser desajeitado; um falso costuma ser perfeito demais. Se você quiser deixar o seu mais claro para as pessoas certas, nosso guia para escrever sua bio pode ajudar.
Verificar uma foto em poucos segundos
A busca reversa de imagem mostra onde mais uma foto aparece na internet. O Google Lens, o Bing e o TinEye fazem isso de graça: você envia a foto ou um print da tela, e a ferramenta mostra as páginas que a contêm. Se o rosto do seu match aparecer com outro nome, na conta de um influenciador ou em um banco de imagens, a dúvida está resolvida.
Uma busca sem resultado, porém, não prova que o perfil é verdadeiro. O FBI alerta que golpistas já criam perfis e roteiros de conversa com ferramentas de inteligência artificial, além de rostos gerados que não existem em nenhum outro lugar. Alguns detalhes podem entregar uma imagem fabricada (mãos deformadas, joias que não combinam, fundo incoerente, texto ilegível), mas as ferramentas mais recentes quase não deixam mais rastros.
Nem a chamada de vídeo é mais uma garantia absoluta: existem programas que trocam um rosto em tempo real. Uma chamada de vídeo sempre muito curta, na penumbra, com imagem que congela ou som atrasado pede cautela. O teste mais confiável continua sendo um encontro em um lugar público.
Os sinais na conversa
O roteiro de um golpe do amor quase sempre segue a mesma progressão. Diante destes comportamentos, vale pisar no freio:
- a pressa: declarações de amor em poucos dias, “você é a pessoa que eu estava esperando”, planos de morar junto antes mesmo de um encontro
- a saída rápida do aplicativo: a pessoa insiste em passar para o WhatsApp ou outro aplicativo de mensagens, longe da denúncia e da moderação
- a impossibilidade de se ver: câmera quebrada, internet fraca, missão confidencial, viagem sempre adiada
- o espelho perfeito: a pessoa ama exatamente as mesmas coisas que você, compartilha seus valores, seu senso de humor e até seu interesse específico, como se tivesse lido seu perfil para se encaixar nele
- o descompasso: respostas genéricas que não retomam o que você escreveu, mudanças no jeito de escrever, horários que não batem com o país informado
- a curiosidade direcionada: perguntas precisas sobre seu trabalho, suas economias, sua casa, sua família ou sua solidão
- o segredo: “não conta nada para a sua família, eles não iam entender a nossa história”
- os dramas em série: cada semana traz um problema novo, sempre mais grave
Vistos um por um, alguns desses comportamentos também aparecem em relações sinceras. Uma pessoa pode se apaixonar rápido, detestar câmera ou passar por uma fase difícil. A diferença aparece quando você coloca um limite: a pessoa sincera aceita, o golpista negocia, faz você sentir culpa ou pressiona.
Ficar no site: sua melhor proteção
Se fosse para guardar um único conselho, seria este: enquanto houver alguma dúvida, mantenha a conversa no site ou no aplicativo onde vocês se conheceram, pelo tempo que for preciso. Uma pessoa sincera não tem motivo nenhum para apressar você a sair de lá. Um golpista tem: esse costuma ser um dos primeiríssimos pedidos dele.
Ficar na plataforma mantém você ao alcance das proteções dela: dá para denunciar ou bloquear em poucos segundos, e a moderação pode analisar o que foi dito. O tempo também joga a seu favor. Um golpista escreve para dezenas de pessoas ao mesmo tempo: quanto mais você fica, maior a chance de alguma delas denunciá-lo e de ele ser removido antes que você se apegue. Em um aplicativo de mensagens privado, ninguém pode encerrar a conversa por você.
No Atypiklove, cada denúncia de perfil ou de conversa é analisada por uma pessoa da equipe de moderação. Quando uma conta é banida por golpe, a conversa é encerrada e todas as pessoas que trocaram mensagens com ela recebem uma notificação de aviso. Esse alerta chega mesmo que você tenha continuado a conversa em outro lugar, mas lá nada protege você da próxima mensagem.
Na prática, recuse sempre sair do site rápido, mesmo quando o pedido é gentil ou parece bem justificado (“quase nunca entro aqui”, “minha assinatura acaba amanhã”). Se a insistência continuar depois de um não claro, você já tem sua resposta.
O momento em que tudo vira: o pedido
Cedo ou tarde, o golpista pede. Às vezes depois de alguns dias, às vezes depois de meses: quanto mais tempo a relação durou, mais difícil é dizer não. Os pedidos mais comuns:
- pagar despesas médicas, uma passagem de avião, um visto ou o que for preciso para sair de um aperto
- pagar “taxas de alfândega” para liberar uma encomenda valiosa que supostamente seria para você
- comprar cartões-presente ou recargas pré-pagas e mandar os códigos
- enviar criptomoedas, muitas vezes por um aplicativo que a pessoa ajuda você a instalar passo a passo
- receber dinheiro na sua conta ou uma encomenda na sua casa e depois repassar para outro lugar
- passar um código recebido por SMS, uma foto do seu documento de identidade ou seus dados de acesso ao banco
Os dois últimos pedidos são especialmente perigosos. Ao movimentar dinheiro ou encomendas, você pode virar laranja de uma quadrilha e responder a processo por lavagem de dinheiro. Um código recebido por SMS quase sempre serve para tomar o controle de uma conta ou para validar um pagamento em seu nome.
Segundo o FBI, os cartões-presente e os cartões pré-pagos são o meio de pagamento mais citado pelas vítimas de golpes do amor, à frente das criptomoedas e da transferência bancária. Todos têm algo em comum: depois que o dinheiro sai, é muito difícil recuperá-lo.
A regra cabe em uma frase: alguém que você nunca encontrou pessoalmente e que pede dinheiro, seja qual for a história, é golpista até que se prove o contrário.
O golpe do investimento: quando o amor é a isca
Nessa variante, o golpista não pede nada no começo. Ele ou ela fala do próprio sucesso, de um parente especialista em finanças, de uma plataforma de trading que rende muito. Depois se oferece para mostrar como se faz. O roteiro quase sempre se desenrola assim:
- Você abre uma conta em um site ou aplicativo com cara de profissional, indicado pelo seu match.
- Um primeiro depósito logo mostra lucros, e um pequeno saque funciona, o que cria confiança.
- Vem o incentivo para investir mais, às vezes pegando empréstimo ou esvaziando a poupança.
- Quando você quer o dinheiro de volta, a plataforma exige “impostos”, “taxas de liberação” ou uma verificação paga. Depois, a conta é congelada.
Os lucros na tela nunca existiram: a plataforma é puro cenário. Esse esquema costuma ser chamado pela expressão em inglês pig butchering, “engordar o porco antes do abate”, porque a relação serve para inflar os depósitos antes de levar tudo. Um match que recomenda um investimento, mesmo pequeno, é um sinal de alerta grave. A autoridade americana de defesa do consumidor resume assim: se alguém que você conheceu na internet se oferece para ajudar você a investir em criptomoedas, é golpe.
Segundo o FBI, a fraude de investimento em criptomoedas se tornou em 2025 a maior fonte de prejuízos financeiros informados ao órgão. Essas operações são, em grande parte, comandadas por organizações criminosas do Sudeste Asiático que obrigam vítimas de tráfico humano a trabalhar para elas: a pessoa que escreve para você pode, ela mesma, estar sendo mantida ali contra a própria vontade.
A sextorsão: quando a intimidade vira ameaça
O roteiro é rápido. A conversa fica sexual muito depressa, a pessoa manda fotos (roubadas) e pressiona você a fazer o mesmo, ou propõe uma chamada de vídeo íntima que ela grava. Pouco depois vem a chantagem: pague, ou as imagens serão enviadas para os seus contatos, para o seu empregador ou publicadas na internet.
Se isso acontecer com você:
- não pague: pagar quase sempre leva a novos pedidos e não garante que nada será apagado
- pare a conversa sem negociar, mas sem apagá-la
- tire prints do perfil, das mensagens, das ameaças e das formas de pagamento pedidas
- denuncie a conta na plataforma e nas redes sociais envolvidas e, depois, registre uma ocorrência na polícia
- peça às plataformas onde as imagens aparecem que as removam: divulgá-las sem consentimento é ilegal em muitos países, e a ferramenta StopNCII.org, recomendada por várias autoridades, também permite bloquear a publicação nas grandes redes sem que você precise enviar a imagem
Você não fez nada de errado ao compartilhar intimidade com alguém em quem confiava. A culpa, e o crime, são de quem ameaça.
Os golpes que miram seus dados, e não seu coração
Alguns perfis falsos não procuram um relacionamento, e sim uma porta de entrada:
- a falsa verificação: um match oferece um link de verificação “gratuito” para “provar que você é real” ou para se proteger de predadores; o site pede o seu cartão de crédito, faz assinaturas pagas no seu nome e pode vender os seus dados (o FBI publicou um alerta sobre essa armadilha específica)
- o redirecionamento para outro site: um perfil muito atraente logo convida você para a página de webcam, o site privado ou outro serviço
- o falso suporte: uma mensagem se apresenta como o atendimento ao cliente e pede a sua senha, um código ou um pagamento para “reativar” a sua conta
- o link falso: uma página de login que imita a de uma rede social ou do seu banco
Nenhuma plataforma séria vai pedir que você se verifique em um site externo sugerido por outro membro.
Por que ninguém está imune
Cair em um golpe não tem nada a ver com inteligência. Os golpistas exploram mecanismos humanos universais: a necessidade de vínculo, a esperança, a reciprocidade (“ele fez tanto por mim”) e o dinheiro já investido, que torna cada novo pagamento mais difícil de recusar. Eles trabalham com roteiros testados em milhares de pessoas.
Alguns traços neurodivergentes também podem ser percebidos e explorados. Não são fraquezas, são alavancas que o golpista aprendeu a usar:
- uma confiança literal no que é dito, e a dificuldade de ler as entrelinhas ou perceber um discurso duplo, algo que muitas pessoas autistas conhecem
- o hiperfoco em uma nova relação e as decisões rápidas, comuns no TDAH
- um medo da rejeição que torna o “não” custoso e leva a fazer favores para manter o vínculo
- a intensidade de uma paixão que se transforma em limerência, ou de um apego ansioso
- o cansaço do masking: depois de anos mascarando quem você é, conhecer alguém que parece entender você sem esforço tem uma força imensa
Mencionar seu diagnóstico no perfil continua sendo escolha sua, e isso ajuda as pessoas certas a encontrar você (veja nosso guia para falar do seu autismo ou TDAH). Só tenha em mente que um golpista pode usar isso para ajustar o discurso: “ninguém nunca me entendeu também”.
Regras para definir de cabeça fria
Quando uma relação acelera, as emoções deixam cada decisão mais difícil. Regras decididas com antecedência, aplicadas a todo mundo sem exceção, protegem você sem que precise avaliar cada situação. Por exemplo:
- Nunca mando dinheiro, criptomoedas, cartões-presente nem códigos para alguém que não conheço pessoalmente.
- Mantenho a conversa no site ou no aplicativo enquanto tiver a menor dúvida e, no mínimo, até fazer uma chamada de vídeo.
- Faço uma chamada de vídeo antes de me apegar e, depois, um encontro em um lugar público.
- Não compartilho nenhuma imagem íntima com alguém que nunca vi.
- Nunca passo um código recebido por SMS, uma senha ou uma cópia do meu documento de identidade.
- Antes de qualquer decisão envolvendo dinheiro ligada a uma relação on-line, converso com uma pessoa de confiança.
- Um pedido de segredo é, para mim, um sinal para parar.
Essas regras podem ser ditas sem acusar ninguém:
- “Antes de a gente avançar, preciso de uma chamada de vídeo rápida. Eu peço isso para todo mundo.”
- “Não empresto dinheiro para quem eu ainda não conheci pessoalmente. Não é nada contra você.”
- “Prefiro que a gente continue conversando por aqui por enquanto.”
A reação importa mais do que a resposta. Uma pessoa sincera diz “tudo bem”, mesmo decepcionada. Um golpista insiste, se ofende, faz você sentir culpa ou inventa uma nova emergência. Dizer não sem se justificar se aprende: nosso guia para impor seus limites traz frases prontas. E se um perfil bem real mostrar depois comportamentos de controle, o artigo sobre sinais de alerta no relacionamento ajuda a perceber a diferença.
Uma pessoa sincera consegue esperar por uma chamada de vídeo. Um golpista sempre tem uma emergência.
Primeiro encontro: cautela também fora da internet
Perfis falsos raramente querem encontrar você. Mesmo assim, um encontro de verdade pede alguns cuidados: um lugar público, um trajeto que você controla, uma pessoa de confiança avisada do horário e do local, e a liberdade de ir embora a qualquer momento sem dar explicações. Nosso guia do primeiro encontro mostra como preparar um encontro que também respeite suas necessidades sensoriais.
Você acha que foi vítima: o que fazer, na ordem
- Interrompa os pagamentos e o contato. Não mande mais nada, nem para “desbloquear” o que já foi enviado, e não explique nada: você não deve nada a quem mentiu para você.
- Ligue para o seu banco imediatamente. Quanto mais rápido você avisar, maior a chance de uma transferência ou de um pagamento ser bloqueado ou contestado.
- Guarde as provas. Prints do perfil e das conversas, números de telefone, endereços de e-mail, endereços de carteiras de criptomoedas, comprovantes, dados das transferências.
- Denuncie o perfil na plataforma onde vocês se conheceram, para que outras pessoas não virem alvo.
- Registre uma ocorrência na polícia ou no serviço oficial de denúncia de golpes on-line do seu país.
- Proteja suas contas se você compartilhou códigos ou senhas: troque tudo e ative a verificação em duas etapas.
Em seguida, desconfie dos “recuperadores”. Depois de um golpe, é comum aparecerem mensagens oferecendo recuperar o dinheiro perdido em troca de uma taxa: falsos advogados, falsos investigadores, falsos policiais, falsos especialistas em criptomoedas. É um segundo golpe, que mira justamente as vítimas do primeiro. Nenhum serviço oficial vai cobrar de você para investigar ou devolver dinheiro.
Por fim, cuide de você. Um golpe do amor faz perder duas vezes: o dinheiro e uma relação que importava, mesmo que a pessoa nunca tenha existido. A tristeza é real, e a vergonha muitas vezes é intensa. Converse com alguém próximo, com uma associação de apoio a vítimas ou com um profissional. Nosso artigo sobre o luto amoroso também pode ajudar a atravessar essa perda.
Ajudar alguém próximo que não acredita
Quando alguém próximo está preso em um golpe, confrontar a pessoa de forma brusca muitas vezes a leva a defender a relação. Às vezes, o golpista já a preparou para isso: “eles vão ficar com inveja da gente”. Algumas ideias:
- faça perguntas em vez de afirmar: “Vocês já fizeram chamada de vídeo?”, “Por que ele não pede ajuda para a família dele?”
- ofereça fazer uma busca reversa de imagem com a pessoa
- compartilhe relatos de golpes parecidos, sem aplicá-los diretamente à história da pessoa
- continue por perto, mesmo que a pessoa se recuse a ouvir: no dia em que a dúvida aparecer, ela vai precisar de alguém a quem voltar sem vergonha
Junte-se ao Atypiklove
No Atypiklove, você pode denunciar um perfil ou uma conversa e bloquear alguém pelo menu do perfil da pessoa ou da conversa de vocês: o bloqueio deixa vocês mutuamente invisíveis e corta as mensagens. Bios, fotos e publicações passam por moderação automática e humana, dados de contato são proibidos nas bios, e um aviso aparece quando alguém envia um número de telefone ou um e-mail para você. As assinaturas são pagas apenas no site, pelo Stripe: um membro que pede dinheiro a você nunca age em nome da plataforma.
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Perguntas frequentes
Como saber se um perfil de namoro é falso?
Um único sinal não basta. Desconfie quando vários se somam: fotos de modelo que não aparecem em nenhum outro lugar ou que aparecem com outro nome, uma história de vida muito comovente, uma profissão que mantém a pessoa longe, declarações de amor rápidas, pressa para sair do aplicativo e recusas repetidas de fazer chamada de vídeo. Uma busca reversa de imagem e uma chamada de vídeo curta resolvem a maioria das dúvidas.
Meu match se recusa a fazer chamada de vídeo: é necessariamente golpe?
Não. Algumas pessoas ficam desconfortáveis diante da câmera, principalmente quando são ansiosas ou neurodivergentes. O sinal fica sério quando a recusa se prolonga, as desculpas mudam o tempo todo e, mesmo assim, aparece um pedido de dinheiro, de fotos ou de dados pessoais.
O que fazer se eu já mandei dinheiro?
Interrompa qualquer novo pagamento, ligue para o seu banco imediatamente, guarde todas as provas, denuncie o perfil na plataforma e registre uma ocorrência junto às autoridades do seu país. Nunca pague alguém que promete recuperar o dinheiro perdido: é um segundo golpe.
O que fazer em caso de chantagem com imagens íntimas?
Não pague, pare a conversa sem apagá-la, tire prints das ameaças e do perfil, denuncie a conta e registre uma ocorrência. Pagar quase sempre leva a novos pedidos. A culpa é inteiramente de quem ameaça.
Por que os golpistas querem sair do aplicativo tão rápido?
Fora do aplicativo, eles escapam da denúncia, do bloqueio e da moderação, e a plataforma não consegue mais encerrar a conversa por você. Ficar no site enquanto houver a menor dúvida é a proteção mais importante, e uma pessoa sincera vai aceitar isso sem problema nenhum.
Pessoas neurodivergentes viram alvo com mais frequência?
Qualquer pessoa pode virar alvo, e cair em um golpe não tem nada a ver com inteligência. Alguns traços, como levar ao pé da letra o que é dito, uma forte sensibilidade à rejeição ou a intensidade de um vínculo que está nascendo, podem, no entanto, ser percebidos e explorados. Regras definidas com antecedência ajudam você a se proteger.